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O que nunca te contaram sobre o Pet Sitting!

Hoje vamos falar-vos daquilo que nunca vos dizem acerca do pet sitting. Muitos, talvez os mais próximos à área animal, devem imaginar, podem já ter tido um vislumbre ou, até mesmo, ter alguma noção do "lado escuro" do pet sitting.


Quando digo que esta é a minha atividade, quase a totalidade das pessoas comenta algo como "que bom, trabalhas com animais!", "Também gostava de ter a sorte de trabalhar com animais!", ou até mesmo algo como "ah, não tens de aturar pessoas!".


Sim, tecnicamente a atividade em si é "isenta" de pessoas porque, ou os tutores estão a trabalhar aquando das visitas ou estão de férias... Nesse aspeto, podemos dizer que a maior parte das pessoas não falha muito!


Tal como nenhuma falha quando diz que é maravilhoso trabalhar com animais. Sem sombra de dúvida, que não há nada mais gratificante (pelo menos para nós), do que trabalhar com estes seres maravilhosos. Poder passar horas incontáveis com eles, mergulhar na sua sabedoria e na sua calma, aprender com eles essas imensas lições de vida que nos trazem é, sem sombra de dúvida, algo fantástico e do qual não abriríamos mão.


Mas, o que raramente as pessoas se lembram (e sinceramente nem sei se é mesmo por inocência e por nunca terem pensado nisso) é que há todo um mundo de situações por detrás desse mundo de mimos, companheirismo e passeios.


Falamos com alguns colegas de profissão para que dessem a sua opinião sobre o tema e, conseguimos perceber que em alguns existe um "desânimo" (usamos esta palavra na falta de outra mais adequada) perante o panorama geral: "O tipo de artigo que queres escrever é interessante, mas como sabes bem, é muito dificil mudar a perspetiva geral sobre a atividade do petsitting." Deram-nos algumas sugestões do que poderemos fazer no futuro, em termos de artigos e partilhas e, por isso mesmo, não podemos deixar de agradecer a estes colegas que não se quiseram identificar e que, neste momento, colocaram a sua atividade de pet sitters em stand by.


Transversal a todas as partilhas, percebemos que, o que muitas pessoas não se apercebem é que nós, pet sitters, cuidadores de animais, não temos fins de semana, não temos feriados, as férias têm de ser muito bem calculadas e o horário de trabalho vai muito para além do habitual.


Mesmo quem recebe os patudos no seu espaço também sofre com algumas questões. Desta vez, é o Pet Sitting da Bicharada que partilha o seu ponto de vista:


"Quem olha para o nosso dia a dia e vê o panorama geral, apenas consegue ver isso mesmo, o geral. Por de trás de uma foto com 30 cães soltos e em conjunto estão muitas horas de investimento profissional em formações, cursos e treino para compreender o comportamento de cada um dos Patudos. Para além da formação, que um bom profissional deve ter, também há uma parte de dedicação, muitas horas a responder a clientes, a tirar dúvidas, a orientar, para que haja uma harmonia entre Patudos, Tutores e profissional. Esta dedicação passa por responder aos fins de semana, feriados, verão, dias de chuva e frio, fora do horário "normal" das 9h às 18h. Há a preocupação constante com aqueles Patudos na ausência do dono para que corra da melhor forma.".


Não é o nosso caso, mas muitas vezes, e dependendo do local onde atuamos, pode haver muita oferta deste serviço e não ser possível fazer dele um trabalho a tempo inteiro, como foi o caso da Carla, da Turrinhas (que neste momento está em stand by, mas prestes a retomar com novo ar) "fazia em junção com o trabalho. Por vezes nem fins de semana tinha para descansar! Lá em baixo há muito pet sitters e dogwalkers. Nunca consegui fazer em full time."


Depois, existem todos aqueles momentos sustos e de pânico momentâneo em que vemos a vida a andar para traz!


"O susto que apanhei valente foi a passear um cão em que a trela rebentou do nada! No meio da confusão de pessoas e carros, o cão respondeu à chamada. E depois foi a dona a dizer, "pois a trela não era muito boa até a comprei no chinês."" (Carla, Turrinhas)


Sustos e peripécias como o da Carla, também já tivemos alguns, mas vamos deixar isso para outro momento. Só isso já dá um novo artigo!


Uma das coisas que quase ninguém vê neste tipo de serviço, é que investimos imenso tempo, não só no serviço em si, como entre serviços. Pet sitting ao domicílio implica que "gastamos" quase tanto tempo a cuidar dos patudos como a ir de casa em casa. Tudo em prol do bem estar e conforto dos animais, para que possam permanecer no conforto do seu lar. "... Mas compensava só pela alegria dos patudos!" (Carla, Turrinhas)


Isto para não falarmos, ainda, de todo o tipo de desgastes e investimento - de tempo e de desgaste físico, desgaste do carro, investimento em combustível e em snacks para usar nas visitas e tantas outras coisas.


Falamos também em responsabilidade!


Este é um serviço que, tal como tantos outros na área animal, requer extrema responsabilidade. Falamos em cuidar de seres de outra espécie, em seres de outras famílias humanas, em ficar com chaves de casa... Nada disto deve ser feito de ânimo leve. Mesmo quando não podemos ajudar (ou porque já não temos disponibilidade, ou porque fica fora da nossa área de atuação), alertamos sempre os clientes para que coloquem todas as dúvidas (e não existem dúvidas parvas), que conheçam as pessoas que irão cuidar dos patudos, que visitem o espaço (caso seja alojamento familiar ou hotel), que questionem sobre formação e tantas outras coisas!...


E este é outro tema, para nós, crucial!

Formação!

A formação base deve existir... Fazer pet sitting só porque se gosta de Animais não chega. É preciso conhecer a espécie que temos na frente, a forma como se comunica, ter conhecimento de aprendizagem, do que se deve ou não deve fazer, bases de primeiros socorros... A formação é fundamental e, infelizmente, muitos prestadores destes serviços não a possuem ou não se mantêm atualizados, desacreditando quem valoriza esse aspeto.


É a Catharina da Rica Vida Pet sitting que resume tudo isto em poucas palavras:

"Prós

Serviço ultra personalizado

Patudos em zona de conforto

Conhecer melhor o patudo no seu ambiente


Contras

Deslocações entre casas dos clientes e própria casa

Tempo limitado para as visitas"


Custa muito quando, do outro lado da linha nos dizem:

"Não acha que é muito caro?"

Não, não achamos que seja caro. Tendo em conta o investimento em formações, o desgaste físico e emocional, o desgaste do carro, os seguros, os impostos, a responsabilidade, o tempo que dedicamos ao pós- serviço...


Custa muito quando, do outro lado da linha nos perguntam:

"E não pode fazer uma gazeta nas suas férias e vir aqui?"

Não, não podemos fazer uma gazeta nas nossas férias (que por sinal já são mínimas) para cuidar do seu patudinho para que você possa ir de férias. Pet sitter também tem vida, também tem família e também precisa de descansar... Caso contrário, não estará apto a cuidar dos seus patudos.


Custa muito quando do outro lado da linha as pessoas revelam a falta deste conhecimento. Mas elas não têm culpa. Apenas não sabem e não conhecem este lado "mais negro" em que nos ligam às 22h a pedir disponibilidade, em que não podemos ir jantar fora com amigos porque temos visitas agendadas, em que não podemos ir à festa de família porque é ao fim de semana que há mais trabalho.

As pessoas não sabem que o serviço não termina quando saímos da casa do cliente. Falta, ainda, fazer o relatório para enviar ao tutor, falta editar vídeos e fotos, falta preparar a agenda para o dia seguinte.

Há toda uma preocupação constante sobre como estará o patudinho, se trancámos tudo devidamente, se não nos esquecemos de nada.

E com isto, já passou a hora do jantar, já passou a hora de ver um episódio e relaxar no sofá, e já está na hora de ir dormir porque amanhã há mais!

E começa cedo!


Este trabalho "é uma entrega a 200% no que estamos a fazer e se não for assim não vale a pena... Mas como se costuma dizer... Quem corre por gosto não cansa... E no fim do dia, tudo compensa com tanto amor por parte de Patudos e reconhecimento por parte dos Tutores." (Pet sitting da Bicharada).




Foto: Fluffy Pet


Agradecimentos: Dedicamos este artigo a todos os que trabalham com animais. Agradecemos a partilha de todas as colegas de profissão que deixaram aqui o seu testemunho: Carla (Turrinhas), Catharina (Rica Vida Pet Sitting), Andreia (Pet Sitting Bicharada).


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